O assalto ao faval (falas da terra). Um conto infantil ou nem por isso...
O assalto ao faval (falas da terra) Um conto infantil ou nem por isso... Era notícia na aldeia Branquinha que no Monte dos Currais um imponente faval se desenvolvera junto à ribeirinha. As faveiras em cacho, dobradas com o peso das favas de palmo e meio, ameaçavam beijar o chão. Era um enlevo para os olhos e, principalmente, para as barrigas famintas que por ali passavam. Dava fama a quem com gotas de suor o regaram, e com dores de costas o adubaram, e sacharam de ervas daninhas e maleitas, e iria dar proveito a quem nem uma dor, nem uma gota de suor lhe deitou. De boca a orelha, que nem os druídas na floresta, a notícia foi correndo como o vento e assim, por este método usual na aldeia que não tinha telefone, chegou a vez do Miguelito ficar a saber as maravilhas que se diziam do faval. Na altura não ligou importância. Pensou: “Favais onde nos podemos deitar de barriga para o ar a comer até ficar de cagulo é o que por aí há mais!” Andava no giro pela aldeia à procura...